
Desacertos Conceituais em Meditação
Através dos anos, a meditação encontrou crescente espaço, bem além das correntes místico-filosóficas que a utilizam. Hoje, a meditação já é algo estudado no meio acadêmico, é empregada no meio empresarial e é discutida pela mídia. No entanto, vários mal-entendidos ainda persistem acerca deste método tão contemporâneo quanto milenar. Nesta nossa conversa, falaremos sobre estes aspectos ainda confusos, especialmente no seu terreno conceitual.
Sem dúvida, a primeira confusão começa com o próprio termo: “meditação”. Sabemos que, apesar da meditação não ser um apanágio de culturas orientais, foi principalmente através de correntes místico-filosóficas advindas do oriente que tivemos contato com a meditação. Eu fico imaginando quando alguns observadores viram, pela primeira vez, um budista ou um hindu meditando; quieto, imóvel, silencioso, respirando lentamente. Eles certamente não conseguiam entender o que aquele sujeito estaria exatamente fazendo. Não sabiam como descrever aquilo; não sabiam como explicar. Até que alguém talvez tenha dito: “…Eu só fico desta maneira quando estou quietinho, refletindo longamente sobre alguma coisa; quando estou meditando…”. Então, provavelmente daí surgiu a proposta do termo meditação, para designar aquele método que, na verdade, era bem diferente de “refletir longamente sobre algo”. Escolhemos esse termo para denominar algo para o qual ainda não existia uma expressão apropriada em nossa língua. O termo meditação foi, apenas, o melhor que se pode arrumar.

